2011: 90 anos do nascimento de Paulo Freire

Por Joelmir Pinho

Em que pese os avanços acorridos nas últimas décadas no tocante à ampliação do número de matrículas na Rede Pública de Ensino na maioria dos municípios brasileiros, inclusive entre a população adulta, ainda há um enorme abismo no campo da aprendizagem.

Os baixos índices de desempenho entre educandos do ensino fundamental, especialmente em Português e Matemática, os altos índices de evasão na educação de jovens e adultos e a falta de entendimento dos agentes públicos e da própria sociedade quanto à importância da Educação Infantil, escancaram o fracasso de um modelo de educação centrado na mera reprodução de conteúdos, quase sempre desvinculados da realidade dos educandos e sem qualquer compromisso com a formação ética e cidadã dos mesmos.

Assim, temos reproduzido ao longo dos tempos e por diversos meios, uma prática educativa que desencoraja a criatividade e a reflexão crítica e fortalece a exclusão, o preconceito e todos os males decorrentes do modelo de desenvolvimento sobrejacente, gerando desencantamento e frustração para boa parte dos envolvidos nos processos de educação formal oficiais.

O desafio de repensar a educação a partir do lugar onde vivemos, colocando-a como ferramenta indispensável à formação de um novo modelo de sociedade, pautado na ética cuidadosa e solidária, no respeito à diversidade e no reconhecimento dos saberes e valores individuais e coletivos, pressupõe a disposição para o diálogo e para a superação de entraves institucionais e pessoais arraigados em nossa compreensão de educação como prática unilateral, linear e, por vezes, autoritária. E mais, exige disposição para uma nova práxis, ao mesmo tempo amorosa, coerente, comprometida e competente.

Nesse contexto, Paulo Freire nos lembra que “o papel de um educador conscientemente progressista é testemunhar a seus alunos, constantemente, sua competência, amorosidade, sua clareza política, a coerência entre o que diz e o que faz, sua tolerância, isto é, sua capacidade de conviver com os diferentes para lutar com os antagônicos. É estimular a dúvida, a crítica, a curiosidade, a pergunta, o gosto do risco, a aventura de criar.”[i]

No ano que antecede o aniversário de 90 anos do nascimento do educador Paulo Freire penso ser oportuno iniciarmos uma série de diálogos, reflexões e aprendizagens sobre questões referentes à pratica docente e aos processos educativos em andamento dentro e fora das escolas, tendo por base o pensamento freiriano e sua contribuição para construção de uma práxis cuidadosa e inclusiva na educação.

Ademais, é urgente restabelecermos a conexão das práticas educativas com os modos de vida das comunidades nas quais as instituições de ensino, públicas e privadas, estão inseridas, contribuindo diretamente para o reconhecimento e o fortalecimento dos saberes e fazeres das gentes do lugar, evidenciando sua identidade cultural e contribuindo para a construção do desenvolvimento sustentável dessas comunidades.


[i] FREIRE, Paulo. A educação na cidade. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001, p. 54.

Em que pese os avanços acorridos nas últimas décadas no tocante à ampliação do número de matrículas na Rede Pública de Ensino na maioria dos municípios brasileiros, inclusive entre a população adulta, ainda há um enorme abismo no campo da aprendizagem.

I Semana Freiriana do Cariri

13 a 19 de setembro de 2010

Rodas de Conversa

Manifestações Culturais

Oficinas

Exibição de Vídeos

Região do Cariri – CE

Os baixos índices de desempenho entre educandos do ensino fundamental, especialmente em Português e Matemática, os altos índices de evasão na educação de jovens e adultos e a falta de entendimento dos agentes públicos e da própria sociedade quanto à importância da Educação Infantil, escancaram o fracasso de um modelo de educação centrado na mera reprodução de conteúdos, quase sempre desvinculados da realidade dos educandos e sem qualquer compromisso com a formação ética e cidadã dos mesmos.

Assim, temos reproduzido ao longo dos tempos e por diversos meios, uma prática educativa que desencoraja a criatividade e a reflexão crítica e fortalece a exclusão, o preconceito e todos os males decorrentes do modelo de desenvolvimento sobrejacente, gerando desencantamento e frustração para boa parte dos envolvidos nos processos de educação formal oficiais.

O desafio de repensar a educação a partir do lugar onde vivemos, colocando-a como ferramenta indispensável à formação de um novo modelo de sociedade, pautado na ética cuidadosa e solidária, no respeito à diversidade e no reconhecimento dos saberes e valores individuais e coletivos, pressupõe a disposição para o diálogo e para o reconhecimento de entraves institucionais e pessoais arraigados em nossa compreensão de educação como prática unilateral, linear e, por vezes, autoritária. E mais, exige disposição para uma nova práxis, ao mesmo tempo amorosa, coerente, comprometida e competente.

Nesse contexto, Paulo Freire nos lembra que “o papel de um educador conscientemente progressista é testemunhar a seus alunos, constantemente, sua competência, amorosidade, sua clareza política, a coerência entre o que diz e o que faz, sua tolerância, isto é, sua capacidade de conviver com os diferentes para lutar com os antagônicos. É estimular a dúvida, a crítica, a curiosidade, a pergunta, o gosto do risco, a aventura de criar.”[1]

No ano que antecede o aniversário de 90 anos do nascimento do educador Paulo Freire, a I Semana Freiriana do Cariri pretende promover uma série de diálogos, reflexões e aprendizagens sobre questões referentes à pratica docente e aos processos educativos em andamento nos municípios da Região, tendo por base o pensamento freiriano e sua contribuição para construção de uma práxis cuidadosa e inclusiva na educação.

Ademais, é urgente restabelecermos a conexão das práticas educativas com os modos de vida das comunidades nas quais as instituições de ensino, públicas e privadas, estão inseridas, contribuindo diretamente para o reconhecimento e o fortalecimento dos saberes e fazeres das gentes do lugar, evidenciando sua identidade cultural e contribuindo para a construção do desenvolvimento sustentável dessas comunidades.


[1] FREIRE, Paulo. A educação na cidade. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001, p. 54.

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Um comentário sobre “2011: 90 anos do nascimento de Paulo Freire

  1. Joana disse:

    Boa noite meu amigo.
    Amei o artigo; pois sou uma apaixonada pela pedgogia de Paulo Freire. Quanto a educação brasileira nosso País ainda está engatinhando, e pelo visto ainda continuará nessa fase; pois não é interessante para os nosssos governantes, que se forme cidadãos críticos. Quem eles irão manipular para continuarem a deitar e rolar com o dinheiro público com fazem? e outras coisas mais.

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