O amor que dura

Tenho escutado, ao longo dos anos, inúmeras queixas de pessoas,  na maioria mulheres, que se sentem sufocadas por seus relacionamentos e que reclamam de serem tratadas como propriedade do outro. Esse é, certamente, um dos maiores equívocos dos relacionamentos ainda hoje. Por isso, partilho com vocês que acompanham o blog uma bela lenda dos índios Sioux[1]. Eis a lenda:

Conta uma lenda dos índios Sioux que, certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho Xamã da tribo e pediram:

– Nós nos amamos e vamos casar. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta que ficaremos sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até a morte. Há algo que possamos fazer?

E o velho, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

 – Há o que possa ser feito, ainda que sejam tarefas muito difíceis. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a para mim viva!

Os jovens se abraçaram com ternura e logo partiram para cumprir a missão. No dia estabelecido, na frente da tenda do Xamã, os dois esperavam com as aves. O velho tirou-as dos sacos e constatou que eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.

– E agora, o que faremos? Os jovens perguntaram.

– Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres. Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade do voo, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se magoarem. Então o velho disse:

– Jamais se esqueçam do que estão a ver, esse é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a magoar um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados.


[1] A civilização Sioux (ou Dakota) é bastante diversificada, e ainda se subdivide em outros três grandes grupos: os Tétons, os Yanktons e os Santees. Dentro de cada uma dessas divisões temos a presença de uma infinidade de tribos entre as quais se destacavam os Hunkpapas, os Oglalas e os Brulés. Em geral as tribos pertencentes à civilização Sioux se encontravam na atual região nordeste dos Estados Unidos, local marcado pelas pradarias e os rios da bacia do Missouri e do Mississipi.

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2 comentários sobre “O amor que dura

  1. Emannuela disse:

    Eita amigo Joelmir…foste longe pra explicar que o amor só persiste quando há liberdade! Encontrando um exemplo forte para nos mostrar o quanto somos egoístas quando pensamos no amor… Nunca esqueci de suas palavras em relação à aprendizagem diária dos relacionamentos e o quanto eles duram quando aprendemos juntos. Você nem imaginas quanto o tenho citado.

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