Violência contra a mulher e direitos humanos

Por Joelmir Pinho

Termina neste sábado (10) a 21ª edição da Campanha 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero. A campanha, que já alcança mais de 100 países, tem início sempre no dia 25 de novembro[1] e prossegue até o dia 10 de dezembro[2].

A iniciativa foi criada em 1991 por feministas e movimentos de mulheres ligados ao Centro para Liderança Global das Mulheres (CWGL, na sigla em inglês), com a finalidade de evidenciar a violência contra as mulheres como um desrespeito aos direitos humanos.

Segundo dados publicados pela agência de notícias ADITAL, “são 603 milhões de mulheres e crianças em países onde a violência doméstica ainda não é considerada um crime; seis em cada dez mulheres já sofreu violência física ou sexual; mais de 60 milhões de meninas são obrigadas a casar-se; 140 milhões de meninas e mulheres sofrem mutilação; e mais de 600 mil mulheres e meninas são traficadas, a maioria para ser explorada sexualmente”.

Olhando para mais perto de nós, sabemos que uma das principais marcas das relações de gênero no Cariri cearense, ano após ano, tem sido a violência contra as mulheres, entendida como “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause ou possa vir a causar morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, incluindo a ameaça de tais atos, tanto na esfera pública como na esfera privada”. [3]

O cenário da violência contra a mulher caririense está escancarado nos dados das únicas duas Delegacias de Defesa da Mulher existentes na Região (Juazeiro do Norte e Crato) e nos documentos produzidos pelos Conselhos da Mulher e outras organizações locais de defesa dos direitos da mulher.

De acordo com dados da delegacia especializada que atende apenas à população do município do Crato, na Região Metropolitana do Cariri, somente em 2008 foram registrados 644 boletins de ocorrência policial tendo como vítimas mulheres. Desse total, 192 (29,8%) foram arquivados por desinteresse da vítima e em 178 (27,64%) a vítima não representou, refletindo, em grande parte, a fragilidade do sistema de proteção às mulheres vítimas de violência e a carência de informações sobre os direitos da mulher.

Mesmo diante desses dados e das várias campanhas nacionais e internacionais pelo fim da violência conta a mulher, prevalece a máscara de que “isso não é comigo”. De que essas “estatísticas não são nossas”. Dessa forma, é urgente desnudar as estatísticas locais e romper com a aceitação social do fenômeno da violência contra a mulher, tão presente na cultura machista da Região.

Daí a importância do investimento, por exemplo, em uma campanha que tenha a cara do Cariri. Que revele claramente a perversa face que marca as relações de gênero na Região e coloque a questão na ordem do dia das instituições e da sociedade locais.


[1] Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher

[2] Dia Internacional dos Direitos Humanos

[3] Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, OEA, 1994.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s