A ExpoCrato e o direito do consumidor

Por Joelmir Pinho

A Exposição Centro Nordestina de Animais e Produtos Derivados, popularmente conhecida como ExpoCrato, está só começando e já é possível sentir no bolso, para falar apenas de um aspecto, o quanto esse evento é caro aos cratenses e aos nossos visitantes.

Como num passe de mágica, o preço de quase tudo que é vendido no Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti durante os oito dias do evento ganha proporções inimagináveis em dias normais. Alguns produtos chegam a sofrer majoração de mais de cem por cento. É o caso do espetinho de carne (ou frango), que normalmente é vendido por R$ 2,00 e durante o período da Exposição desse ano está sendo comercializado a R$ 5,00.

Os comerciantes alegam que precisam elevar os preços de seus produtos porque estão pagando caro pelo espaço onde estão instalados dentro do Parque, o que pode ser facilmente confirmado através de uma simples sondagem ou um papo informal com os mesmos. Alguns comerciantes chegam a pagar R$ 5 mil para instalação de um barração que funciona como bar e restaurante. O espaço para instalação de stands, por exemplo, pode variar de R$ 800,00 em áreas de menor circulação a valores bem maiores na avenida principal do Parque. No local dos “grandes shows” um espaço para colocação de uma barraca de pequeno porte pode chegar a R$ 2 mil.

O mais grave é que todo esse desrespeito ao cidadão sé dá com a anuência ou a omissão do Governo Municipal e do Ministério Público, a quem compete a fiscalização do cumprimento da lei e a defesa dos interesses e direitos dos consumidores, nos termos do Código de Defesa do Consumidor.

Mas a lógica perversa do oportunismo de mercado e da exploração do cidadão/consumidor não se restringe ao espaço interno do Parque Pedro Felício. Os serviços que gravitam em seu entorno também são afetados. Para pegar um taxi no período da Exposição, por exemplo, é preciso desembolsar cinquenta por cento a mais do que se pagaria em qualquer outro período do ano. Há uma tabela oficial especial para o evento, exposta em um banner afixado junto ao ponto de parada dos taxis que fica em frente ao Parque. Aqui também se observa a anuência ou a omissão do Poder Público.

Aliás, o próprio Governo Municipal esse ano decidiu entrar no jogo do “vamos aproveitar a festa” e proibiu o estacionamento de veículos nas várias ruas que ficam próximas ao Parque, intensificando, de forma deliberada, a fiscalização por parte dos agentes de trânsito. Resultado: mais dinheiro sendo injetado nos cofres públicos à custa de quem queria apenas passear com a família ou os amigos no evento que leva o nome e a imagem do nosso Cratim de Açuçar para além-fronteiras, embora muito pouco represente ou expresse de nós mesmos.

Esse quadro de desrespeito aos cratenses e aos nossos visitantes é agravado pelo fato de que boa parte do dinheiro que circula durante o evento vai embora com o fim do mesmo. Isto porque, um número considerável de comerciantes e negociadores da Exposição é de outros municípios e vai investir o dinheiro ganho aqui, nos municípios de origem de seus negócios.

O maior exemplo disso talvez seja os elevados cachês pagos a artistas de várias outras partes do Brasil. Quantos cratenses (ou caririenses) passarão pelo palco principal da ExpoCrato esse ano? Quantos músicos (dos muitos e excelentes que temos por aqui) se beneficiarão com esse megaevento, que pouco ou nada agrega à identidade da terra dos Kariris?

Vale aqui registar o esforço hercúleo de resistência cultural de alguns projetos como o Palco Sonoro da URCA e o Palco da Fundação Casa do Folclore Mestre Eloi Teles de Morais.

Por tudo isso, cabe perguntar: em que a ExpoCrato serve aos cratenses? Precisamos, realmente, desse evento, da forma como ele vem sendo feito ao longo das últimas décadas?

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