Futebol e eleições

Por Joelmir Pinho

No futebol, a exemplo de outros esportes, há uma regra segundo a qual a ausência de uma das equipes na partida dá à equipe que compareceu o direito de vitória por W.O, sigla em inglês para walkover (algo com vitória fácil).

Quem já teve a experiência de ver o seu time ser declarado vencedor da partida por W.O sabe que a sensação não é de vitória, mas de vazio e frustração por não ter visto o que, de fato, nos motiva a comparecer a um estádio de futebol: a possibilidade de ver uma bela partida, recreada de técnica, garra e arte.

Em uma campanha eleitoral o debate entre os candidatos talvez seja o momento mais aguardado por muitos eleitores, mesmo aqueles que já definiram seu voto. O debate representa a possibilidade de ver em campo as propostas dos candidatos, suas opiniões sobre temas polêmicos, suas ideias sobre o futuro governo e outras questões de interesse público.

Daí a importância da presença dos candidatos nos debates. Sem essa possibilidade de ouvir a todos, de comparar propostas e compromissos, a nossa já frágil democracia fica mais pobre, vazia de propósitos, já que corremos o risco de reduzir o processo eleitoral ao mero jogo de marketing – quase sempre carregado de maquiagem, acusações (não confundir com denúncias) e apelos midiáticos – sem maior compromisso com propostas.

É como se tudo que viesse antes do debate fosse apenas o treino para a partida final. Aquela que vai colocar à prova a capacidade de cada jogador (os candidatos) de apresentar-se aos eleitores com o que tem de melhor em termos de ideias e visão político-administrativa.

O debate, quando bem conduzido/mediado e a depender da qualidade técnica e política dos jogadores, pode possibilitar a apreciação, por parte do eleitor, do conhecimento que cada candidato tem do território que pretende governar. E aqui estou me referindo a território como lugar de identidade e como “espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder”, segundo definição de Marcelo J.L. Souza.

A diferença entre o W.O. no futebol e a ausência de um candidato em um debate é que no segundo caso não há vencedor. Todos perdem com a cadeira vazia e a impossibilidade de conhecer o pensamento do candidato ausente sobre temas que podem ser fundamentais para balizar a decisão do eleitor indeciso ou confirmar (ou não) a escolha já feita.

Ao mesmo tempo, a presença de todos os candidatos em um debate não é garantia de boas propostas. Da mesma forma que o fato de termos duas equipes em campo não nos dá a garantia de uma boa partida de futebol, também no debate eleitoral é preciso mais que a presença física dos candidatos. É fundamental presença de espírito público, de democracia e conhecimento sobre os muitos e complexos desafios que se apresentam para quem pretende governar uma cidade.

Na noite desta quinta-feira (4), eleitores de vários municípios brasileiros tiveram a possibilidade de acompanhar os debates, promovidos por emissoras de TV locais, entre os “principais” candidatos. Esse foi o último antes do dia das eleições desse ano.

Quiçá, os debates ocorridos ao longo de todo o processo eleitoral de 2012 em todo o país possam contribuir para qualificar o voto dos brasileiros e, por conseguinte, melhorar a gestão pública de nossas cidades e qualificar nossa frágil democracia.

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