Os novos governos e o fim do experimentalismo

Por Joelmir Pinho

ampulhetaÉ comum, ao final dos primeiros 90 ou 120 dias de uma nova gestão municipal, a apresentação de um balanço das ações desenvolvidas ao longo desse período, o que considero bastante salutar por sinalizar uma intenção política do novo governo de estreitar o diálogo com a sociedade, embora nem sempre isso se confirme ao longo dos quatro anos.

Além disso, a iniciativa trás consigo o recado, para o próprio governo, de que a fase de testes e de experimentalismo chegou ao fim. É hora da nova equipe de governo aprender a trocar o pneu com o carro andando.

As demandas reprimidas e as urgências de uma sociedade invariavelmente marcada por contextos históricos de exclusão e abandono exigem do novo governo, além de competência técnica e criatividade, a confirmação do compromisso político que marcou o processo eleitoral. Já não há mais espaço e tempo para a retórica da falta de recursos, da herança de dívidas e do desmonte da máquina deixado pelo governo anterior, mesmo que isso seja, em maior ou menor grau, verdade.

É claro que não há como conhecer todo o funcionamento da chamada máquina administrativa e seus vícios, assim como suas potencialidades, em apenas três ou quatro meses. Mas, passados esses primeiros dias, é preciso avançar na consolidação de um modelo de gestão que, tendo como eixos de ação o planejamento territorial estratégico e o diálogo permanente e sistemático com todas as forças vivas da sociedade, rompa com o ciclo vicioso da transferência de responsabilidade e da improvisação.

Para tanto, será fundamental assegurar a criação de um núcleo central de planejamento na nova estrutura de governo, com compreensão clara do conceito e da importância da sustentabilidade para a construção e consolidação de políticas públicas capazes de iniciar um novo momento histórico para o município e suas gentes.

Portanto, não se trata, simplesmente, da montagem de uma equipe estratégica ou de uma agência de elaboração de projetos, como é comum acontecer. Trata-se, em última análise, da incorporação por toda a equipe de governo e, gradativamente, por todos os servidores municipais, de uma nova visão de mundo e de governo, cuja centralidade esteja na vida, valendo tudo para preservá-la, protegê-la e cuidá-la.

Assim, será primordial que não se confunda planejamento com elaboração de projetos, embora essa competência técnica, somada à capilaridade para a mobilização de recursos e parcerias, seja importante. Mas ela só faz sentido se estiver a serviço de um objetivo maior. Projeto e mobilização de recursos devem ser sempre encarados como meios e nunca como fins em si mesmos.

Tendo esse novo olhar sobre o planejamento como pano de fundo, é possível construir uma estratégia de governo que contribua, de forma efetiva, para modificar positivamente a realidade de comunidades urbanas e rurais locais, através de um conjunto de ações integradas e complementares entre si, definidas a partir do diálogo entre os diversos atores (indivíduos e instituições) envolvidos no processo.

Por último, é importante lembrar que não há uma carta de navegação pronta para essa caminhada. Muito há que se aprender; daí a importância do diálogo permanente. Muitos caminhos precisarão ser abertos ou alargados; daí a necessidade de contarmos com todos que quiserem chegar. Contudo, urge começar, sabendo que, como nos ensina o poeta, toda caminhada começa no primeiro passo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s