Crato: rumo aos seus 250 anos

Por Joelmir Pinho¹

Crato-Antigo-BentoNo próximo dia 21 o município do Crato completará 249 anos de emancipação política. Entre junho de 2013 e junho de 2014 viveremos a contagem regressiva para os 250 anos desta generosa e acolhedora terra, da qual sou, orgulhosamente, filho adotivo.

A oportunidade de celebrarmos dois séculos e meio de emancipação política vem acompanhada de um convite à reflexão sobre o processo histórico de formação de nosso município, a partir dos múltiplos olhares presentes em seu território.

Nossas vidas e nossas culturas são compostas de muitas histórias sobrepostas. Nessa perspectiva a escritora nigeriana Chimamanda Adichie adverte-nos que se ouvimos somente uma única história sobre uma outra pessoa ou país (ou comunidade), corremos o risco de gerar grandes mal-entendidos.

Os 250 anos do Crato são o resultado da história de muitos atores e grupos sociais, com suas convergências e seus conflitos, suas lutas e suas conquistas. Seus sins e seus nãos.

Assim, é preciso ao longo do próximo ano, que se iniciará em 21 de junho de 2013, refletir sobre o nosso passado para que, a partir dele, possamos delinear, coletivamente, um porvir justo, mais solidário e muito mais cuidadoso para as gerações atuais e futuras.

E mais: é preciso celebrar as muitas marcas que fazem do Crato um território singular, seja pela herança mística e mítica que nos envolve, seja pela corajosa capacidade de contestação de seus filhos e filhas – cuja atuação foi capaz de mudar o rumo da história, para além das fronteiras cratenses -, seja pela boniteza das ricas expressões da cultura popular tradicional caririense, ou ainda, pela riqueza natural que nos abraça.

Por isso, o desafio é fazermos dos próximos 365 dias o início de um novo ciclo histórico, cuja marca principal seja o reconhecimento e o acolhimento da pluralidade e da diversidade cratense, cônscios do nosso papel de atores regionais e da nossa unidade Cariri.

Mesmo porque, como nos ensina Thiago de Mello, “não somos melhores, nem piores; melhor é a nossa causa”.

Ademais, é preciso ter presente que nossa história é o resultado dos saberes e fazeres de muitos, independente de classe social, gênero, credo, opção política ou ideológica.

E apenas para que não esqueçamos, como nos lembra Chimamanda Adichie, “quando nós rejeitamos uma história única, quando percebemos que nunca há apenas uma história sobre nenhum lugar, nós reconquistamos um tipo de paraíso”.

Que as celebrações dos 250 anos de emancipação política do Crato, que se avizinham, sirvam para reavivar em nós o compromisso com a herança Cariri e renovar nossas esperanças em dias melhores, construídos por relações pessoais e institucionais geradoras de mais autonomia e de menos heteronomia.

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¹ Joelmir Pinho é graduando do Curso de Administração Pública da Universidade Federal do Ceará (Campus Cariri), diretor geral da Escola de Políticas Públicas e Cidadania Ativa (EPUCA) e membro da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR).

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