Vamos precisar de todo mundo …

Por Joelmir Pinho

manifestoDesde a tarde de ontem (19), a cidade de Brasília é palco da I Conferência Nacional de Alternativas para uma Nova Educação, a CONANE. O evento prosseguirá até a próxima quinta-feira (21) e, dentre outras coisas, apresentará dezoito experiências significativas que apontam novos rumos concretos para a Educação brasileira.

Durante a solenidade de abertura da CONANE, na tarde de 19 de novembro, foi entregue ao Ministro da Educação e à sociedade brasileira o documento Mudar a Escola, Melhorar a Educação: Transformar um País, elaborado de forma colaborativa por diversos estudiosos da educação e entidades de todo o Brasil e subscrito por milhares de pessoas e centenas de organizações de todo o território nacional.

Simultaneamente à solenidade de Brasília, foram realizadas atividades em pelo menos outras quarenta cidades brasileiras, com a entrega do mesmo documento a autoridades locais (prefeitos, secretários municipais de educação, parlamentares, etc.).

A cidade do Crato, no Cariri cearense, foi sede de um desses eventos, que por aqui teve caráter regional e foi realizado sob a responsabilidade da Escola de Políticas Públicas e Cidadania Ativa (EPUCA).

Independente da quantidade de pessoas que cada encontro conseguiu reunir, a iniciativa já pode ser considerada uma grande conquista. Afinal, como nos ensina o poeta, um mais um é sempre mais que dois.

Ver milhares de pessoas, Brasil afora, mobilizadas por uma causa tão importante e urgente é, no mínimo, animador. São gentes de lugares os mais diversos, que não cansam de mirar um novo horizonte e caminhar – hora mais rápido, hora mais lentamente – em sua direção, pela via do fazer acontecer.

Mas, é bom e justo que se diga: não estamos inventando a roda. Muitos nos antecederam com suas utopias, hoje também nossas, e principalmente, com suas práxis. Entre estes está o educador pernambucano Paulo Freire, que tem inspirado nossos quereres e fazeres, a ponto de realizarmos anualmente, no Cariri cearense, uma Semana Freiriana, já em sua terceira edição.

Com Paulo aprendemos que “não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

Mas há outro inspirador, este bem menos conhecido da maioria de nós. Refiro-me a Lauro de Oliveira Lima, cearense de Limoeiro do Norte, nascido em 12 de abril de 1921. Lauro nos deixou no Rio de Janeiro, em 29 de janeiro deste ano em que publicamos o III Manifesto pela Educação.

Lauro nos lembra que “o ser humano exige finalidade em tudo que faz. Não agimos sem objetivo claro e reconhecido como válido. Se o que ensinamos não parece ter utilidade para os adolescentes, eles fogem de nós, julgando-nos num mundo irreal que eles não encontram lá fora”.

Referindo-se ao mundo acadêmico, ele era categórico ao afirmar que “no dia em que a nossa universidade deixar de tratar dos problemas genéricos e se libertar da tentação de imitar outros grandes centros com longas tradições científicas e grandes recursos à sua disposição, no dia em que a nossa universidade, humilde e modestamente, puser nas mesas dos laboratórios os nossos problemas, terá selado afinal, a sua aliança com o povo”.

Voltemos ao III Manifesto pela Educação …

Se ainda não sabemos ao certo para onde tudo isso que estamos vivendo irá nos levar, já temos claro aonde chegamos até aqui: movimentos e momentos como estes que estamos experienciando juntos, confirmam nossa certeza de que vale teimar e ousar e reforçam nossa crença de que o generoso Universo conspira favoravelmente quando não desistimos de nossos sonhos e persistimos na jornada sem abandonarmos o cuidado e a amorosidade.

Nesse momento tão especial em que nos encontramos, de “início” de um longo ciclo de transformações que se anunciam, desejo que nossos corações e nossas mentes estejam prenhes da utopia que nos anima a caminhar, mesmo diante das adversidades.

Recorrendo ao formidável João Cabral de Melo Neto, em seu Morte e Vida Severina, ao narrar o nascimento de uma criança, atrevo-me a dizer que o que estamos a fazer, com a tecetura desse Manifesto e todos os seus desdobramentos,

[…]

é tão belo como um sim

numa sala negativa.

[…]

Belo porque é uma porta

abrindo-se em mais saídas.

[…]

Belo porque tem de novo

a surpresa e a alegria.

Por último, desejo que os desdobramentos das solenidades realizadas na tarde deste 19 de novembro de 2013, sejam férteis de cumplicidades e fortaleçam-nos mutuamente na certeza de que é possível fazer acontecer outra humanidade, cujo compromisso primeiro seja com a vida plena.

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Joelmir Pinho é graduando do Curso de Administração Pública da Universidade Federal do Cariri (UFCa), diretor geral da Escola de Políticas Públicas e Cidadania Ativa (EPUCA) e membro da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR).

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