A urgente reforma agrária do ar¹

Por Joelmir Pinho²

TV MídiaEm meio aos debates sobre a necessidade de reformas no Brasil, urge incluirmos a reforma agrária do ar, encarando de frente o desafio de democratizar os meios de comunicação, hoje concentrados nas mãos de poucas famílias que decidem, a seu gosto ou de acordo com seus compromissos mercadológicos e políticos, o que vamos ler, ver e ouvir todos os dias. Que informações vamos receber e com que perspectiva elas nos serão apresentadas, que programas de entretenimento são melhores para nós e especialmente para nossas crianças, que artistas terão espaço nas rádios e TVs…

Até as concessões de rádios e televisões comunitárias que, como o próprio nome sugere, deveriam estar sob a gestão e a serviço de comunidades locais, são, há muito tempo e até hoje, distribuídas entre políticos como moeda de troca na fragilizada e imoral relação histórica de poder e favoritismos entre o executivo e o legislativo brasileiros.

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie, em um dos melhores discursos sobre democracia já produzidos, sem citar, uma vez que seja, a palavra democracia, nos alerta para o perigo de uma história única. Ela lembra o quanto nós somos impressionáveis e vulneráveis em face de uma história, principalmente quando somos crianças.

Nossa imprensa especializou-se em contar histórias únicas. Em dar uma única versão dos fatos e a fazer análises unilaterais, o que representa um enorme atentado à democracia. O desafio de aprender a contar histórias que rompam com os limites da “verdade única” está umbilicalmente ligado ao desafio de colocar os espaços midiáticos a serviço da democracia pelo debate amplo de ideias e opiniões sobre a multiplicidade de temas que a sociedade brasileira precisa aprender a discutir.

Portanto, não se trata de calar a imprensa, como alguns alardeiam como ameaça. A proposta é exatamente ampliar as vozes e os olhares sobre o Brasil, permitindo que muito mais gente possa se expressar. Como nos lembra o cantar e compositor Wado, na música Reforma Agrária do Ar, a luta “é contra o artista mudo, é contra o ouvinte surdo”. A luta é pelo direito do povo brasileiro contar e ouvir suas próprias histórias.

Quanto à imprensa brasileira, em matéria de democracia temos ainda muito o que aprender e aprimorar. E isso vale para todos nós. Inclusive para o Conexão Cariri.

____________________

¹ Artigo publicado como editorial da quarta edição do jornal Conexão Cariri.

² Joelmir Pinho é graduando do Curso de Administração Pública da Universidade Federal do Cariri (UFCa) e diretor geral da Escola de Políticas Públicas e Cidadania Ativa (EPUCA. Escreve, regularmente, para o Jornal Conexão Cariri.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s