PMDB se assume como patife ao chantagear povo brasileiro

Por Joelmir Pinho

chantagempmdbA ofensiva do PMDB, partido de Michel Temer, em defesa de sua principal bandeira atualmente, a reforma da Previdência, revela uma das piores faces da política praticada pelo partido do governo e seus aliados. Vale tudo para servir aos interesses das elites econômicas nacionais e do capital internacional. Até chantagear, de forma repugnante, o povo brasileiro.

Dentre tantas outras mentiras postadas pelo PMDB em sua página oficial no facebook, está a imagem reproduzida neste artigo, através da qual o tétrico partido de Temer afirma que “se a reforma da Previdência não sair, tchau Bolsa Família, adeus Fies, sem novas estradas, acabam os programas sociais”. A imagem tem uma cidade em ruínas ao fundo e um tom tão sinistro quanto os próprios representantes principais do PMDB e do atual governo, cuja composição agrega ainda indicados do PSDB e do DEM, além de outros partidos sem maior expressão na cena política nacional, de quem os votos foram necessários para a consolidação do golpe jurídico-parlamentar de 2016.

O projeto, que vem sendo defendido na base do vale tudo pelo governo e seus aliados, ignora diferenças regionais e de gênero, por exemplo, ao definir a idade mínima de 65 anos para aposentadoria do brasileiro no sistema público. Essa idade é colocada como ponto central da proposta, segundo o próprio Henrique Meirelles, ministro da Fazenda do [des]governo Temer.

Contudo, segundo o IBGE, em 19 municípios brasileiros a expectativa de vida é de exatamente 65 anos, enquanto em outros 63 essa expectativa é de 66 anos. O site The Intercept Brasil, em matéria assinada por Helena Borges e Vinícius Pereira, propõe uma comparação interessante para facilitar a compreensão do problema. Ele toma por base dois jovens: uma mulher de Santa Catarina e um homem de Alagoas, ambos com 20 anos de idade em 2016. Por estarem entrando agora no mercado de trabalho, ambos já sofreriam os efeitos da reforma da Previdência e, de acordo com estimativas, a jovem catarinense deve viver 14 anos a mais que o jovem alagoano.

De acordo com a publicação do The Intercept Brasil, “dados do IBGE apontam que um jovem alagoano que tem 20 anos em 2016 viverá aproximadamente 69 anos. O estado tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. É uma vida inteira de trabalho para desfrutar de quatro anos de descanso”.

Diante desse breve cenário, duas perguntas precisam ser feitas, antes de quaisquer outras: [i] a quem interessa a Reforma da Previdência, sobretudo nos moldes em que ela está sendo proposta pelo atual [des]governo? [ii] por que o PMDB, o atual governo e seus asseclas estão tão interessados nessa reforma?

Por outro lado, um estudo elaborado por iniciativa da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil [ANFIP] e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos [DIEESE], que contou com a colaboração de especialistas em proteção social e em mercado de trabalho, coloca em xeque o discurso do governo e questiona várias premissas apresentadas pelos defensores da reforma, inclusive a de que há déficit na Previdência. A publicação do documento irritou o governo e colocou em polvorosa os defensores do projeto de reforma em curso, dando início a mais uma azáfama do [des]governo Temer, desta vez capitaneada pelo PMDB que começa a temer [leia-se: preocupar-se com, para evitar trocadilhos] o golpe do golpe.

O fato é que fica cada vez mais evidente que o grande objetivo da reforma de Previdência apresentada por Temer é empurrar o trabalhador brasileiro para os braços da previdência privada. A reação dos defensores da reforma aos competentes argumentos que vêm sendo apresentados pelos especialistas e organizações que se opõem à iniciativa do governo, tem razão de ser. Aprovar a reforma, tal e qual proposta ou com mudanças negociadas com o parlamento que não afetem os pontos centrais defendidos pelo governo, significa garantir ganhos ainda mais exorbitantes para os planos de previdência privada que, nos primeiros dez meses de 2016 acumularam aportes de R$ 86,91 bilhões, apresentando uma evolução de 18,29% frente ao mesmo período de 2015, segundo noticiou o site da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida [FenaPrevi]. A captação líquida apresentou um saldo positivo de R$ 42,93 bilhões, representando crescimento de 21,20%, em comparação aos R$ 35,42 bilhões registrados de janeiro a outubro de 2015, de acordo com a mesma fonte.

Não por acaso, Marcelo Abi-Ramia Caetano – o homem por trás da reforma da Previdência, indicado para o cargo pelo próprio Meirelles – somente em 2016 teve cera de 30 reuniões com representantes de bancos e empresas de fundos privados como JP Morgan, Santander, Itaú e XP Investimentos. As centrais sindicais de trabalhadores não têm tido a mesma “sorte”.

Então, em meio a tanta mentira e desfaçatez, seria bom que o PMDB, ao invés de nos chantagear de maneira sórdida, assumisse claramente seus compromissos com os interesses do capital nacional e internacional e com as elites que o levaram ao poder pelo caminho curto do golpe que tão duramente feriu nossa frágil democracia.

É disso que estamos falando. A bola da vez é a previdência, mas a encomenda inclui a saúde, a educação, a reforma trabalhista e por aí seguirão. Afinal, está tudo tão fácil! Nosso povo, de tradição pacífica e ordeira, parece não se importar que continuem a surrupiar-lhe direitos e roubar-lhe a dignidade.

Conseguirão Temer e os que o cercam avançar com seu projeto de maldades? Depois de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, algo que me parecia pouco provável dado o histórico de Moraes e a envergadura do cargo, passei a não duvidar mais de nada. Em tempos não muito distantes brasileiros tiveram a dignidade e a altivez de ocupar as ruas quando nossa democracia estava ameaçada. E agora? Até quando esperaremos?

Parafraseando Martin Luther King, encerro afirmando:  o que mais me preocupa não é a ofensiva de um governo ilegítimo, autoritário e elitista e de partidos políticos indignos e desprezíveis como o PMDB que, diga-se de passagem, não está só. O que mais me preocupa, nesse contexto, é o silêncio permissivo dos oprimidos e violentados.

_______________________________

Joelmir Pinho é graduado em Administração Pública pela Universidade Federal do Cariri [UFCa]. Blogueiro, associado fundador da Escola de Políticas Públicas e Cidadania Ativa [EPUCA] e consultor independente.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s