A GESTÃO SOCIAL EM PAUTA NO CARIRI

Por Joelmir Pinho

Foto | Joelmir Pinho

No período de 20 a 24 de maio desse ano o Cariri cearense foi palco do X Encontro Nacional de Pesquisadores em Gestão Social – ENAPEGS, um dos mais importantes e intensos momentos de diálogos sobre Gestão Social – e vários temas correlatos – que já tive o privilégio de experienciar nos últimos tempos. Ao longo de cinco dias tivemos a oportunidade de participar de atividades diversas que, certamente, contribuíram de forma significativa para ampliar nossos conhecimentos e fortalecer nossa caminhada rumo relações menos adoecidas e fazeres individuais e coletivos mais cuidadosos, dialógicos e democráticos.

Aliás, o diálogo foi a tônica do encontro que teve a maioria de suas atividades sediadas no campus da Universidade Federal do Cariri, em Juazeiro do Norte, embora outros espaços também tenham abrigado parte da agenda, a exemplo da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, e da Faculdade Paraíso, em Juazeiro do Norte. Não por acaso, o tema do X ENAPEGS foi “Diálogo como Resistência: Gestão Social, Crises e Futuro das Democracias”. Em tempos de Estado de exceção, intolerância e ódio, conversar sobre o futuro das democracias – no Brasil e no mundo – em diálogo estreito com os princípios da gestão social, a mim parece muito oportuno.

A propósito, Giorgio Agamben, em seu livro Estado de Exceção [2004], nos lembra que “o estado de exceção se apresenta como a forma legal daquilo que não pode ter forma legal”. Nesse contexto o estado de exceção torna-se um patamar de indeterminação entre democracia e absolutismo.

Em entrevista ao jornalista Rodrigo Farhat, publicada no dia 16 de março último, no Le Monde Diplomatique, o pesquisador Felipe Paiva¹ diz acreditar que, em sentido jurídico estreito, é possível falar em um estado de exceção nesta nossa fase republicana, ao menos desde o golpe de 2016. “Além disso, é possível falar também que estamos em um estado de exceção no sentido histórico. Afinal de contas, a maior parte da população [do negro pobre favelado ao caboclo sertanejo] não goza de seus plenos direitos, ou, pior, são inimigos do Estado, que sistematicamente os extermina, os deixa morrer ou os encarcera”, destaca Paiva.

Voltando ao X ENAPEGS, vale destacar que este não foi apenas um evento de nível internacional sobre Gestão Social, na acepção mais comum do termo. Quem participou da conversa com Ladislau Dowbor e Tânia Bacelar na noite da terça-feira [22], por exemplo, teve o privilégio de aprender sobre economia com duas das maiores referências do tema na América Latina. E o que dizer dos encantos da rica “agenda cultural”, tão carinhosamente preparada para nos acolher durante os cinco dias do evento?

Além disso, observar e acompanhar a própria dinâmica de organização e a intensa produção do X ENAPGES foi um convite à parte para aprendermos sobre mobilização de esforços e energias, construção de redes e trabalho integrado, elementos essências à boa gestão pública e social. Ou seja: enquanto conversávamos sobre Gestão Social ela acontecia ali, na nossa frente. Pulsando, prenhe de criatividade, energia, dinamismo e desafios.

Por fim, como participante do evento quero aqui registrar meu reconhecimento e expressar minha gratidão a todos e todas que se engajaram diretamente na organização do X ENAPEGS. Sei que foram muitos e longos dias de trabalho árduo, de dedicação, de poucas horas de sono e de momentos de tensão que lhes levaram, algumas vezes, à beira da exaustão. Mas, o resultado foi lindo e, como costumo dizer, no final tudo começou bem.

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Joelmir Pinho é professor substituto do curso de Administração Pública da Universidade Federal do Cariri [UFCA]. Blogueiro, curioso e eterno aprendiz, é também associado fundador da Escola de Políticas Públicas e Cidadania Ativa [EPUCA].

¹ Felipe Paiva é doutorando em História pela Universidade Federal Fluminense [UFF] e professor de História da África na Universidade de Brasília [UnB]. 

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